Inauguração de exposição – 17 de Setembro – 18h30

DESENHAR PARA VER: O ENCONTRO DE BÁRBARA ASSIS PACHECO COM AS GALERIAS DA AMAZÓNIA

Inauguração da exposição temporária
Dia 17 de Setembro de 2009, 18h30

Olhar os objectos
Joaquim Pais de Brito
Director do Museu Nacional de Etnologia

Não existe saber exclusivo que permita formular a infinidade de questões e de respostas que os objectos podem trazer consigo. As colecções etnográficas no Museu reenviam para um campo disciplinar que treinou métodos de investigação e abriu perspectivas para a compreensão e interpretação dos contextos de onde provêm, e nos orientam no nosso propósito de saber o que são. Mas, pelo simples facto de já se encontrarem no Museu, os objectos, sempre instáveis, são exilados desses mesmos contextos e, no seu exílio, abrem-se para novos campos de significação. Os objectos existem perante os olhos que os olham e cada olhar tem a sua própria história, feita de construção intelectual, experiência, sensibilidade e do próprio devaneio em que procura os seus limites. Por isso, a importância que temos dado em abrir as portas do museu em formas de colaboração com aqueles que, não utilizando os instrumentos próprios da antropologia, propõem ângulos de abordagem e modos de aproximação, cujos resultados são posteriormente articulados nas metodologias de trabalho e na experimentação museológica e museográfica. Desta vez foi uma pintora que nos procurou para desenhar alguns dos objectos que vira numa visita às Galerias da Amazónia. Como Bárbara Assis Pacheco nos diz, no texto em que apresenta esta experiência, nem sempre os resultados a gratificaram. Alguns objectos resistiram, não se deixavam desenhar. Outros insinuaram-se insistentemente em muitos desenhos, como os brincos Karajá no fulgor das suas formas e cores, muitas vezes retomados, como a máscara macaco Kamaiurá que se impôs na força do desenho e veio ocupar o centro da própria exposição, como os homenzinhos em que se transformaram os pequenos amuletos ou adornos dos índios Tikuna, deslocando-se agora na paisagem vazia de uma folha quase saindo dela, na linha do horizonte. Alguns dos que resistiram estão também na exposição, com os comentários da pintora sobre a ausência do desenho. Nem todos os objectos desenhados ali se encontram e os que lá estão não os vemos necessariamente junto ao seu desenho. O visitante oscilará entre observá-los em separado ou estabelecer semelhanças, comparações e, sobretudo, irá talvez interrogar-se sobre o traço. A exposição que resultou deste projecto de colaboração é um ensaio de olhar para os objectos, um meio, entre outros, de os ver. Também por isso alguns destes desenhos passaram a integrar as colecções do museu.


“Acho que se vê logo que este foi o objecto que gostei mais de desenhar, também pela escolha intuitiva do papel que tornou o resultado tão óbvio.”
Bárbara Assis Pacheco

Máscara cara de macaco
Kamayurá
AN.219
146x21x26cm
Tinta da china e guache s/ papel: 70,5x100cm
Galerias da Amazónia: Vitrina 10.1

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