Novas incorporações: “Navio” processional e tambor e baquetas do Kola San Jon

Kola San Jon, Bairro do Alto da Cova da Moura, 20 de junho de 2015. Fotografia de Ana Botas. Arquivo de Imagem do MNE.

Kola San Jon, Bairro do Alto da Cova da Moura, 20 de junho de 2015. Fotografia de Ana Botas. Arquivo de Imagem do MNE.

Em junho de 2015, por ocasião do Colóquio «Kola San Jon: cultura proibida, património estimado» realizado no auditório do Museu Nacional de Etnologia, a Associação Cultural Moinho da Juventude procedeu à doação ao Museu de um conjunto de peças utilizadas na festividade do Kola San Jon, realizada no Bairro do Alto da Cova da Moura (Amadora).

As peças doadas – um “Navio” processional e o tambor e baquetas que ritmam o percurso do Kola pelas ruas do bairro –, constituem um importante contributo para a coleção do Museu Nacional de Etnologia, em particular por serem testemunhos da primeira manifestação de património imaterial de uma comunidade de origem não-portuguesa a ser objeto de proteção legal pelo Estado Português, através do seu registo no Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial, ocorrido em 2013.

Ambas as peças revelam-se de particular interesse como exemplos da dinâmica de permanente atualização das práticas culturais, exemplificada num primeiro momento pela crioulização do culto católico a S. João realizado em Cabo-Verde, documentado desde o séc. XIX nas primeiras referências conhecidas ao Kola San Jon ali praticado, e, num segundo momento, em inícios da década de 1990, pela recuperação dos valores e práticas culturais mais emblemáticos da cultura cabo-verdiana, em contexto de diáspora e da estratégia de reconfiguração da identidade da comunidade cabo-verdiana do bairro do Alto da Cova da Moura.

No contexto do processo de incorporação das referidas peças, o Museu Nacional de Etnologia procedeu à documentação da utilização das peças no seu contexto de produção e uso social, em particular através da realização de registos fílmicos e fotográficos da festa do «Kola San Jon» realizada em junho de 2015, que integram igualmente a documentação de inventário das peças, já disponível em linha no MatrizNet.