Chamada para trabalhos | Modos de fazer, modos de ser: práticas artísticas na e com a antropologia

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Modos de fazer, Modos de ser: práticas artísticas na e com a antropologia

Colóquio Internacional

9 e 10 de março de 2017
Museu Nacional de Etnologia


Desde a sua emergência, enquanto disciplina, que a antropologia tem recorrido a práticas artísticas e visuais para explorar e apreender outras dimensões do ser de ser. Com a proposta do presente colóquio, pretendemos, antes de mais, convocar uma genealogia concreta do uso do registo visual que tem um possível início com a expedição de Cambridge a Torres Strait em 1898, passando pelo trabalho pioneiro de Gregory Bateson e Margaret Mead nos anos trinta, assim como a afirmação da antropologia visual na década de sessenta, enquanto sub-disciplina responsável pela produção de filmes que constroem e exploram outras formas de representação e experimentação do mundo estudado pelo antropólogo. Mais recentemente, têm ocorrido desenvolvimentos na área do cinema participativo, new media e etnografia interactiva que suscitam novos sentidos e questões. Esta perspectiva é ainda potenciada ao olharmos para como, no campo artístico, certos paradigmas se manifestam nos modos de fazer e nos modos de ser do mundo presente. Nesse sentido, consideramos que as contribuições artísticas na sua materialidade e processo, experimentação e criatividade, devem reocupar o centro do empreendimento antropológico de forma a compreender as dimensões culturais menos associadas ao discurso. Contudo, já há muito que discutimos que esta relação próxima é também problemática, na medida em que a diversidade da natureza dos materiais produzidos expande o campo epistemológico, muitas vezes para lugares ainda por incorporar pela própria disciplina.

Em Portugal, a antropologia foi acompanhando este movimento, sobretudo no que diz respeito ao registo e produção de objectos visuais, onde se destaca o grupo que esteve na origem do Museu Nacional de Etnologia, nomeadamente o trabalho fílmico de Margot Dias e Benjamim Pereira, a fotografia deste e ainda o desenho de Fernando Galhano. Pretende-se igualmente convocar este legado já que estas investigações, por vezes exploratórias, fragmentárias e abertas, continuam hoje a proporcionar-nos novas epistemologias e novas urgências na possibilidade de expandir a antropologia como empreendimento que perscruta a multidimensionalidade das pessoas e a pluridiversidade de mundos em que vivemos. Além disso, assumimos que um olhar a partir das experiências realizadas nas periferias e a “sul” dos centros hegemónicos de poder e conhecimento, alternativo à tendência anglófona e francófona que tem até certo ponto dominado esta discussão, é cada vez mais importante.

Tendo em conta este enquadramento, o colóquio “Modos de fazer, Modos de ser: práticas artísticas na e com a antropologia“ lança o desafio aos investigadores que trabalham e trabalharam nestas áreas em Portugal para se juntarem durante dois dias no sentido de pensar sobre as relações entre arte e antropologia neste país. Os principais objectivos são: 1) estabelecer um levantamento das produções científicas realizadas nos últimos anos; 2) reflectir sobre os cruzamentos e singularidades dos nossos trabalhos; 3) perspectivar os futuros deste terreno imaginativo e indomesticável.

As propostas de comunicações devem partir de uma palavra ou conceito chave que permita ao proponente reflectir sobre o seu percurso nos cruzamentos entre arte e antropologia, dentro e fora da academia. Filme etnográfico, arquivo, performance, memória, prática, ética, epistemologia, materialidade, identidade são alguns exemplos possíveis.

O evento resultaria numa publicação em formato livro que permitisse fazer o estado da arte da antropologia visual e da arte em Portugal.

Uma actividade NAVA – Linha Temática Antropologia Visual e da Arte um laboratório do CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia.

CHAMADA PARA TRABALHOS ABERTA ATÉ 20 DE JANEIRO DE 2017 para o email coloquiomsmf@gmail.com

NOTA: Os resumos das propostas devem ter um limite máximo de 250 palavras e um título alusivo à palavra chave ou conceito em que a comunicação se centrará. Os proponentes devem ainda enviar um resumo biográfico que inclua a filiação institucional. Prevê-se que as comunicações tenham a duração máxima de 20 minutos.

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Inventário de Património Cultural Imaterial | Ação de Formação | Inscrições abertas | Museu Nacional de Etnologia

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Encontram-se a decorrer as pré-inscrições para a Ação de Formação «Inventário de Património Cultural Imaterial», a realizar no Museu Nacional de Etnologia entre 8 e 11 de novembro de 2016. A Ação de Formação tem como destinatários preferenciais: profissionais de Museus, prioritariamente da Rede Portuguesa de Museus, técnicos da administração local e central, assim como técnicos de associações de defesa do património.

Descarga do Programa (pdf), aqui.

Descarga da Ficha de Inscrição (docx), aqui.

 

Colóquio «Inquéritos ao Território: olhares sobre Portugal (1942-1990)» | 14 de outubro

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No próximo dia 14 de outubro realizar-se-á no MNE um colóquio no âmbito da Exposição Temporária Inquéritos ao Território: Paisagem e Povoamento, com a participação de: Catarina Alves Costa, Fernando Oliveira Baptista, João Leal, Joaquim Pais de Brito, Nuno Faria e Paulo Ferreira da Costa.


Realizado no âmbito da exposição «Inquéritos ao Território: Paisagem e Povoamento», o Colóquio toma por objeto três grandes programas de interrogação e descoberta do Portugal rural, desenvolvidos sucessivamente a partir de finais da década de 1930. O primeiro destes programas de pesquisa consiste no Inquérito à Habitação Rural, divulgado entre 1942 e 1947, mas cujos resultados relativos ao Sul do país, então silenciados, apenas muito recentemente foram publicados. Os restantes programas, eles próprios matéria daquela Exposição, consistem no Inquérito à Arquitectura Regional, realizado entre 1957 e 1960 e publicado em 1961, e nas linhas de pesquisa do Centro de Estudos de Etnologia, desenvolvidas de forma sistemática entre 1947 e 1990. Reflectindo sobre as características que singularizaram cada um destes ambiciosos programas de pesquisa, assim como as principais repercursões que os mesmos conheceram no plano científico, dar-se-á particular ênfase no Colóquio ao trabalho desenvolvido pelo Centro de Estudos de Etnologia, em virtude da sua relação íntima com as coleções do Museu Nacional de Etnologia relativas ao mundo rural português.

Organização: Museu Nacional de Etnologia
Entrada livre condicionada à capacidade do Auditório do Museu Nacional de Etnologia.
Estacionamento gratuito


Programa

09h30: Receção aos participantes

10h00: Abertura

10h15:
O Inquérito à Habitação Rural (1942-1947, 2012)
Fernando Oliveira Baptista

11h00: Pausa para café

11h15:
Mapas com Gente: o Atlas Etnológico de Portugal Continental
Joaquim Pais de Brito

12h00:
A imagem em movimento no Centro de Estudos de Etnologia
Catarina Alves Costa

12h45: Debate

13h00: Almoço livre

14h30:
O Inquérito à Arquitetura Popular em Portugal
João Leal

15h15:
Da caminhada como forma de conhecimento do mundo
[problemáticas, metodologias, constelações] na curadoria da exposição “Inquéritos ao Território”
Nuno Faria

16h00:
Para além da Antropologia: o programa de digitalização dos arquivos do CEE
Paulo Ferreira da Costa

16h30: Debate

17h00: Visita guiada à Exposição Inquéritos ao Território: Paisagem e Povoamento


Notas Biográficas

Catarina Alves Costa
Professora Auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Realizadora associada à Produtora Laranja Azul. Desde 1997 leciona nas áreas da Antropologia Visual e Filme Etnográfico. É investigadora integrada do CRIA, Centro em Rede de Investigação em Antropologia onde coordena a linha de investigação do NAVA, Núcleo de Antropologia Visual e da Arte. Realizou entre outros filmes, Pedra e Cal (2016), Falamos de António Campos (2009), Nacional 206 (2008), O Arquitecto e a Cidade Velha (2004), Mais Alma (2001), Senhora Aparecida (1994).

Fernando Oliveira Baptista
Professor catedrático aposentado do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa e membro da Academia de Agricultura de França. As suas principais áreas de trabalho são as dinâmicas sociais e económicas do espaço rural, a análise das políticas agrárias e os critérios de gestão da propriedade florestal. Da sua produção científica mais recente destacam-se os livros O Espaço Rural: Declínio da Agricultura (2010), Alentejo, a Questão da Terra (2010) e O Destino Camponês (2013)

João Leal
Professor do Departamento de Antropologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (UNL) e investigador do CRIA (UNL). É autor dos livros Etnografias Portuguesas (1870-1970). Cultura Popular e Identidade Nacional (2000) e Antropologia em Portugal. Mestres, Percursos, Transições (2007) assim como de vários artigos que exploram as tematizações das culturas populares em Portugal, com destaque para a arquitetura popular.

Joaquim Pais de Brito
Antropólogo, Professor Emérito do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa – Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), foi Diretor do Museu Nacional de Etnologia (Lisboa) entre 1993 e 2015 onde coordenou a investigação e comissariou inúmeras exposições. A sua actividade de investigação desdobra-se pelo estudo das sociedades agro-pastoris de montanha e as suas formas de organização comunitária, a história da etnografia portuguesa, as culturas populares nas suas vertentes de oralidade e expressão ritual e festiva e as condições teóricas da prática museológica. Criou a coleção Portugal de Perto – Biblioteca de Etnografia e Antropologia (Publicações Dom Quixote).

Nuno Faria
É, desde 2013, diretor artístico do Centro Internacional das Artes José de Guimarães. Entre 1997-2003 e 2003-2009, trabalhou no Instituto de Arte Contemporânea e na Fundação Calouste Gulbenkian, respetivamente. Viveu e trabalhou no Algarve entre 2007 e 2012 onde, entre outros projectos, fundou (em Loulé no ano de 2009) o projeto Mobilehome – escola de arte nómada, experimental e independente. É professor da ESAD – Escola de Artes e Design das Caldas da Rainha.

Paulo Ferreira da Costa
É, desde 2015, diretor do Museu Nacional de Etnologia, no qual havia já trabalhado entre 1993 e 2001. Foi Director de Serviços de Inventário do Instituto Português de Museus (2002-2007), Diretor do Departamento de Património Imaterial do Instituto dos Museus e da Conservação (2007-2012) e Chefe da Divisão do Património Imóvel, Móvel e Imaterial na Direção-Geral do Património Cultural (2012-2014).

Colóquio internacional «Contemporary Unmasking / 1º Encontro Práticas e Políticas da Cultura» | 8 de outubro

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Colóquio organizado pelo Grupo de Investigação “Práticas e Políticas da Cultura”, do CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia

O Grupo de Investigação “Práticas e Políticas da Cultura”, do CRIA –  Centro em Rede de Investigação em Antropologia, organiza o colóquio internacional Contemporary Unmasking / 1º Encontro Práticas e Políticas da Cultura, no Museu Nacional de Etnologia, no dia 8 de outubro de 2016, com início às 10h00.

A keynote speaker, Elizabeth Edwards, Professora Emérita da De Montfort University (Leicester), profere às 11h00 uma conferência intitulada “Photography as the handmaiden of colonialism? Some confusing evidence from the Colonial Office, London”, sendo debatedor Robert Rowland (ISCTE-IUL). A partir das 14h30, decorrem comunicações sobre coleções e usos do arquivo, museus e património, turismo, práticas artísticas e performance.

Por ocasião do Encontro, é assinado o protocolo de colaboração entre o Museu Nacional de Etnologia e o CRIA.

Encontro «Desenhar o Mundo. Olhar em Volta: O Desenho como Registo»

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(pormenor de um desenho da autoria de Pedro Alves)

A propósito das Jornadas Europeias do Património, no próximo dia 23 de setembro, entre as 15h00 e as 17h30 decorrerá o encontro «Desenhar o Mundo. Olhar em Volta: O Desenho como Registo», organizado pela Direção-Geral do Património Cultural. A entrada é livre sujeita à capacidade da sala.

 

Programa Encontro Desenhar o Mundo