Exposição “Lugares Encantados, Espaços de Património” | 31 de janeiro a 4 outubro 2020

 

A exposição “Lugares Encantados, Espaços de Património” centra-se na interrogação de processos de construção de identidades configuradas a partir da articulação entre património e religião na sociedade portuguesa contemporânea. Tal interrogação constituiu o fundamento de pesquisas de terreno desenvolvidas recentemente por uma equipa de investigadores que se debruçaram sobre os quatro estudos de caso – Fátima, Mértola, Mouraria (Lisboa) e Sintra – que a exposição dá a conhecer, revelando-nos assim outros tantos modos de recurso ao passado e afirmação de identidades, de âmbito religioso ou secular, coletivo ou institucional.

Para além da documentação fotográfica e fílmica produzida em contexto de pesquisa de terreno, assim como de documentação de arquivos diversos, a exposição integra peças das coleções do Museu de Mértola, do Museu Nacional de Arqueologia e da Parques de Sintra – Monte da Lua (Convento dos Capuchos e Palácio Nacional de Sintra), assim como peças de coleções particulares.

A exposição constitui o culminar da componente nacional do projeto HERA HERILIGION  The heritagization of religion and the sacralization of heritage in contemporary Europe / A patrimonialização da religião e a sacralização do património na Europa Contemporânea. Este projeto foi desenvolvido no âmbito de um consórcio de instituições de cinco países (Dinamarca, Holanda, Polónia, Portugal e Reino Unido) e financiado no âmbito do Joint Reasearch Programme ‘Usos do Passado’ da rede HERA – Humanities in the European Research Area, do qual faz parte a Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Em Portugal, o projeto encontra-se sediado no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, constituindo-se o Centro em Rede de Investigação em Antropologia como instituição participante. O Museu Nacional de Etnologia acolhe a exposição na qualidade de parceiro associado, desde 2016, do projeto de investigação.


 

Exhibition “Enchanted Places, Heritage Spaces” | 31st of January to the 4th of October 2020 

The exhibition “Enchanted Places, Heritage Spaces” is centred on the questioning of processes of identity construction shaped from the articulation between heritage and religion in contemporary Portuguese society. That questioning has been the foundation for recent field research conducted by a team that looked into the four case studies that the exhibition reveals – Fátima, Mértola, Mouraria (Lisbon) and Sintra –, and that show us as many ways of using the past and affirming identity, in the religious or secular, colective or institutional context.  

Other than photo and film documentation produced in the context of field research, and documentation from diverse archives, the exhibition presents items from the collections of the Mértola Museum, the National Museum of Archaeology, and the Parques de Sintra-Monte da Lua (Convent of the Capuchos and National Palace of Sintra), as well as items from private collections.

This exhibition is the final output of the national component of the project HERA HERILIGION The heritagization of religion and the sacralization of heritage in contemporary Europe. This project was developed by a consortium of institutions from five countries (Denmark, Netherlands, Poland, Portugal and United Kingdom) and funded within the framework of the Joint Reasearch Programme ‘Uses of the Past’ of the HERA – Humanities in the European Research Area network, of which the Portuguese Foundation for Science and Technology (FCT) is a member. In Portugal, the project is based at the Centre for Comparative Studies of the School of Arts and Humanities, University of Lisbon (CEC-FLUL), and at the Center for Research in Anthropology (CRIA). The National Museum of Ethnology has hosted the exhibition as an associated partner since 2016 in the research project.

 

 

Benjamim Pereira (25.12.1928 – 1.1.2020).

O Museu Nacional de Etnologia está de luto pela perda de Benjamim Pereira, um dos seus fundadores e uma das figuras incontornáveis da antropologia e da museologia em Portugal. Todos nos sentimos hoje órfãos e sem palavras para exprimir o quanto lhe devemos.

Mesa-Redonda & Oficina «Corpo e Ritual» | 30 janeiro a 1 fevereiro, 2020

Terá lugar no Museu Nacional de Etnologia, entre 30 de janeiro e 1 de fevereiro de 2020, a Mesa-Redonda & Oficina dedicada ao tema CORPO E RITUAL, uma iniciativa INET-MD / Pólo Faculdade de Motricidade Humana – Universidade de Lisboa, que conta com o apoio do Museu Nacional de Etnologia.

A Mesa-Redonda, de entrada livre, realiza-se a 30 de janeiro, no auditório do Museu, contando com a participação  de Ana Godinho, Daniel Tércio, Filippo Baraldi, João Leal e Rita Vilhena.

Nos dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro realizar-se-á a Oficina, a cargo de Rita Vilhena (participação sujeita a inscrição – email inetmd.fmh@gmail.com).

Objetivos:

– Proporcionar e ativar modos de pensar o corpo no cruzamento da cultura e da natureza, seguindo a problemática do nurture versus nature.

– Questionar o conceito de ritual nas suas dimensões sociais, culturais e filosóficas.

– Contribuir para uma análise das práticas de dança enquanto potenciadoras do corpo no contexto de experiências rituais.

– Desenvolver exercícios físicos de respiração, meditação activa e escrita performática.

Destinatários:

A iniciativa destina-se a estudantes de artes performativas (dança, teatro, música) e de ciências sociais interessados nos fenómenos rituais, assim como a investigadores do corpo com disponibilidade física para participarem em exercícios práticos.

Exposição «Vergílio Pereira: Itinerários de um Etnógrafo»

Exposição temporária

Vergílio Pereira: Itinerários de um Etnógrafo

6 de dezembro 2019 a 30 de maio de 2020

Esta exposição dá a conhecer a vida e obra de Vergílio Pereira a partir do estudo e preservação digital do seu arquivo pessoal. Doado ao Estado pelos seus herdeiros, este arquivo foi transferido para o Museu Nacional de Etnologia em 1992, tendo em vista complementar outros importantes arquivos de música popular portuguesa de que o Museu já dispunha anteriormente, constituídos por Ernesto Veiga de Oliveira e por Michel Giacometti.

Da diversidade de documentação que configura este arquivo pessoal, são precisamente os registos sonoros que assumem especial relevo, não apenas pelo quantitativo destes, mas pelo facto de as suas cópias das gravações realizadas no âmbito da colaboração com a Junta de Província do Douro Litoral consistirem, provavelmente, nos únicos registos sobreviventes dessas recolhas.

A importância desses registos sonoros apenas pode ser compreendida, porém, no contexto do seu arquivo etnográfico globalmente considerado. É no cruzamento de toda essa documentação que, para além das vozes e das melodias, que Vergílio Pereira registava em fita magnética e posteriormente transcrevia para partitura, podemos identificar os intérpretes, de que anotava o nome, a alcunha, a idade e competência musical nos seus cadernos de campo, em conjunto com o lugar e data de cada gravação. São também os seus rostos que se encontram documentados nas imagens que realizava sistematicamente em cada recolha, assim como os instrumentos musicais utilizados, cuja sonoridade particular se encontra registada nas suas gravações.

Dada a relevância de todos estes registos, que nos permitem restituir o todo da realidade das expressões musicais que Vergílio Pereira documentou ao longo de mais de quinze anos, constituiu componente central desta exposição a digitalização do seu arquivo pessoal, tendo este projeto sido desenvolvido pelo Museu no âmbito do Programa para preservação digital e publicação em linha dos seus vários fundos arquivísticos iniciado em 2015.

Realizada pelo Museu entre 2016 e 2019, a digitalização deste arquivo contou com a inestimável colaboração da Universidade de Aveiro, dando assim sequência ao próprio projeto de estudo e inventário do mesmo desenvolvido por Maria do Rosário Pestana, docente nesta universidade, no âmbito da sua investigação sobre a obra de Vergílio Pereira.