Exposições Temporárias

Vergílio Pereira: Itinerários de um Etnógrafo

6 de dezembro 2019 a 30 de maio de 2020

Esta exposição dá a conhecer a vida e obra de Vergílio Pereira a partir do estudo e preservação digital do seu arquivo pessoal. Doado ao Estado pelos seus herdeiros, este arquivo foi transferido para o Museu Nacional de Etnologia em 1992, tendo em vista complementar outros importantes arquivos de música popular portuguesa de que o Museu já dispunha anteriormente, constituídos por Ernesto Veiga de Oliveira e por Michel Giacometti.

Da diversidade de documentação que configura este arquivo pessoal, são precisamente os registos sonoros que assumem especial relevo, não apenas pelo quantitativo destes, mas pelo facto de as suas cópias das gravações realizadas no âmbito da colaboração com a Junta de Província do Douro Litoral consistirem, provavelmente, nos únicos registos sobreviventes dessas recolhas.

A importância desses registos sonoros apenas pode ser compreendida, porém, no contexto do seu arquivo etnográfico globalmente considerado. É no cruzamento de toda essa documentação que, para além das vozes e das melodias, que Vergílio Pereira registava em fita magnética e posteriormente transcrevia para partitura, podemos identificar os intérpretes, de que anotava o nome, a alcunha, a idade e competência musical nos seus cadernos de campo, em conjunto com o lugar e data de cada gravação. São também os seus rostos que se encontram documentados nas imagens que realizava sistematicamente em cada recolha, assim como os instrumentos musicais utilizados, cuja sonoridade particular se encontra registada nas suas gravações.

Dada a relevância de todos estes registos, que nos permitem restituir o todo da realidade das expressões musicais que Vergílio Pereira documentou ao longo de mais de quinze anos, constituiu componente central desta exposição a digitalização do seu arquivo pessoal, tendo este projeto sido desenvolvido pelo Museu no âmbito do Programa para preservação digital e publicação em linha dos seus vários fundos arquivísticos iniciado em 2015.

Realizada pelo Museu entre 2016 e 2019, a digitalização deste arquivo contou com a inestimável colaboração da Universidade de Aveiro, dando assim sequência ao próprio projeto de estudo e inventário do mesmo desenvolvido por Maria do Rosário Pestana, docente nesta universidade, no âmbito da sua investigação sobre a obra de Vergílio Pereira.

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