Esteve patente

«Arquitetura Timorense: Miniaturas do Mundo» (23/09/2016 – 09/07/2017)

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Um livro, uma Exposição

Esta exposição constitui uma homenagem à investigação de Ruy Cinatti (1915-1986), Leopoldo Castro de Almeida (1932-1996) e António de Sousa Mendes (*1921) sobre os sistemas de construção tradicionais de Timor-Leste, de que resultou a obra Arquitetura Timorense, agora reeditada pelo Museu Nacional de Etnologia em parceria com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, IP.

Tomando por referência os sete tipos de habitação tradicional que aquela equipa considerou como emblemáticos de outras tantas áreas de distribuição, a exposição apresenta uma seleção de objetos de diversas coleções do Museu relativas a Timor-Leste, de que se destaca o conjunto de elementos arquitetónicos recolhidos por Ruy Cinatti.

Tem igual destaque aqui o conjunto de maquetes de habitações e construções de uso ritual da autoria de Pedro Tolentino, com a colaboração de João Tolentino, que constituem reproduções à escala de alguns dos modelos de construções documentadas pela belíssima fotografia e pelo desenho, rigoroso mas quente, publicados naquele livro.

Evidenciando a grande diversidade de técnicas construtivas em Timor-Leste, a exposição remete-nos também para o complexo simbolismo de que se reveste a habitação timorense, quer como expressão da organização social, quer como microcosmos e reflexo da conceção do universo e das relações do Homem com o Sagrado.

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Bobonaro

Nesta região montanhosa predomina o povoamento disperso e os aldeamentos de 6 a 20 casas, edificados em zonas de difícil acesso. A habitação é de planta retangular, assente em numerosos prumos, tendo c. de 11m  de comprimento por 7m de largura.

A sua cobertura é suportada por dois grandes pilares – o «pilar da terra» e o «pilar do mar fundo» –, a que se atribuem propriedades sagradas e que compartimentam três espaços fundamentais da casa. São estes a varanda de entrada, uma grande sala central, de pavimento sobrelevado em relação às restantes divisões, e uma eventual segunda varanda, caso a dimensão do agregado familiar o exija.

A maior ou menor sofisticação do remate da cobertura distingue nesta região os dois principais tipos de casas, correspondentes a distintos estatutos sociais: a uma-kakaduk, com remate mais complexo, associada ao estrato social superior, e a uma-rabi, com remate mais simples, utilizada pelas famílias comuns.

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Maubisse

Nesta área do centro-oeste, o povoamento é constituído por pequenos núcleos compostos de duas a quatro habitações, e respetivas dependências, que se distribuem irregularmente desde o topo das montanhas aos vales mais ensombrados.

A habitação tradicional mambai caracteriza-se pela sua cobertura elíptica ou semi-piramidal, com inclinação acentuada, que desce abaixo do pavimento sobrelevado, com vista a proteger o interior dos ventos frios das montanhas e impedindo a sua visibilidade a partir do exterior.

A casa organiza-se num único compartimento, no qual se dorme, cozinha e consomem as refeições. Sobre esse compartimento distribuem-se diversos tabuados, utilizados para armazenamento de roupas, géneros alimentares e utensílios diversos.

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Baucau

Tendo a aparência de uma construção de piso térreo, o que se deve à parede de palapa, revestimento vegetal que envolve todo o seu perímetro, a habitação tradicional da área de Baucau desenvolve-se, de facto, em três planos de pavimento. Estes são sobrelevados respetivamente a 0,8m, a 1m e a 2m de altura, utilizando-se ainda o sótão para armazenamento de géneros e objetos diversos, incluindo os sagrados ou lulic.

A estrutura da casa é definida por dois conjuntos de pilares: oito, na periferia, que conferem à construção a planta octogonal visível do exterior; quatro, no interior, que organizam os dois pisos superiores e suportam as paredes destes. Este tipo de casa caracteriza-se ainda pelo revestimento da sua cobertura, denso e espesso, cujos c. de 50 cm constituem um forro protetor da chuva e do calor.

A construção deste tipo de habitação desenvolve-se ao longo de 3 a 4 meses, sendo concluída por um ritual que assegura a transferência das almas dos antepassados do antigo para o novo lar.

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Lautém

Na região de Lautém, no extremo oriental de Timor-Leste, predomina o povoamento concentrado, em aldeamentos de 40 a 50 casas cada. A casa emblemática desta região caracteriza-se pela sua alta cobertura de quatro águas, quase piramidal e inclinação muito acentuada, elevando-se por vezes a 12m do solo.

Nas casas dos chefes, o remate da cobertura é profusamente decorado por cones ornamentais de gamúti, traves esculpidas, cordões de búzios e outros símbolos de poder. O pavimento, elevado a 3m do chão, assenta num complexo sistema de vigamento, por seu turno suportado em apenas quatro pilares. As paredes exteriores são constituídas por painéis de madeira profusamente insculpidos e pintados com motivos diversos.

Tal como se lhe refere a obra Arquitetura Timorense, «É, sem dúvida, a casa […] que mais surpreende em todo o Timor [e na qual] o sentido arquitetónico ultrapassa de longe o seu imediato utilitarismo».

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Viqueque

Na área de Viqueque, em que predomina a língua tétum, o povoamento é disperso e cada núcleo habitacional, pertencente a um mesmo grupo familiar, é constituído por duas a dez casas, organizadas em torno de uma clareira aberta na floresta.

A habitação de Viqueque distingue-se dos restantes tipos de arquitetura vernacular de Timor-Leste, em particular pela grande área que ocupa (c. de 15m de comprimento por 7m de largura) e pela sua cobertura de três águas, a menor das quais situadas sobre a entrada principal.

A estrutura que suporta o pavimento é independente da que sustenta a cobertura. Internamente subdivide-se em três compartimentos – o quarto das mulheres, o quarto dos homens e a cozinha –, sobre os quais se localizam espaços de arrecadação.

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Suai

A área de Suai caracteriza-se pelo povoamento concentrado, distribuindo-se as casas por espaços amplos e delimitados por sebes. A habitação, assente em estacaria, é de planta quadrangular e tem cobertura de quatro águas, que se prolonga em relação ao núcleo central da casa, até c. de 2 m do solo, protegendo as varandas laterais.

O pavimento desenvolve-se em três planos, sobrelevados respetivamente a 0,8m, a 1m e a 1,5m de altura. A plataforma intermédia reparte-se em três varandas cobertas, protegidas do sol e do acesso exterior por esteiras, como a que se apresenta na entrada desta exposição.

O compartimento mais elevado, o único com paredes, constitui o coração da casa, no qual se cozinha e dormem os donos e os mais velhos. Suspensas de traves do teto, sobrepõem-se neste espaço largas prateleiras, para armazenamento de géneros alimentícios e utensílios de cozinha.

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Oecussi

No enclave de Oecussi, localizado na costa norte da parte ocidental da ilha de Timor, distinguem-se dois tipos de habitações tradicionais. O interior montanhoso, de povoamento disperso, caracteriza-se pelas casas cónicas, de piso térreo, que a obra Arquitetura Timorense considera como «as mais primitivas em todo o Timor».

Contudo, nas planícies do litoral, de povoamento concentrado, ocorre um tipo de habitação desenvolvida por influência dos povos de língua tétum, e com «flagrante parentesco» com a arquitetura vernacular das áreas de Viqueque e de Suai.

Trata-se esta de uma casa de planta quadrangular (c. de 10m x 7m), assente sobre pilares, com cobertura espessa (50 cm ou mais) de quatro águas, em cujo interior se organizam três zonas distintas: uma varanda, profunda e que ocupa toda a largura da casa, e duas divisões com paredes. Esta casa singulariza-se ainda pelas suas paredes externas, duplas, resultantes da aplicação de diferentes técnicas a dois tipos de materiais vegetais.

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«WORLD PRESS PHOTO» (28/04/2017 – 21/05/2017)

 

A Exposição WORLD PRESS PHOTO 2017 encontra-se patente ao público no Museu Nacional de Etnologia entre os dias 28 de abril e 21 de maio de 2017.

A edição de 2017 da Exposição apresenta ao público as imagens vencedoras do 60.º concurso anual da World Press Photo, selecionadas a partir de um total de 80.408 imagens produzidas por 5.034 fotógrafos de 126 países.

Referência mundial do fotojornalismo, a Exposição dá a conhecer ao público, através das imagens premiadas pela World Press Photo, algumas das questões cruciais com as quais povos e sociedades de todo o mundo se defrontam na atualidade e que, em muitos casos, se repercutem além das suas fronteiras e mesmo à escala global.

A Exposição é organizada pela World Press Photo Foundation, uma organização sem fins lucrativos fundada em 1955, e, à semelhança das edições anteriores, a sua realização é assegurada pela Revista Visão e pela SIC Notícias.


«Inquéritos ao Território: Paisagem e Povoamento» (15/04/2016 – 16/10/2016)

Cartaz-final

«Inquéritos ao Território: Paisagem e Povoamento é uma exposição que coloca em diálogo múltiplos olhares e perspetivas sobre Portugal desde finais do século XIX até à atualidade. Por um lado, os olhares que, em particular nos domínios da Etnologia, da Arquitetura e da Geografia, promoveram a descoberta e o conhecimento sistemático do território e da sua diversidade cultural. Por outro, os olhares de um variado conjunto de artistas que, com recurso à fotografia, e em alguns casos ao filme, tomam o território e a paisagem como objeto da sua produção ou intervenção desde as últimas décadas.

Na exposição é apresentada ao público uma seleção de objetos das coleções do Museu Nacional de Etnologia, colocados em diálogo com os diversos olhares, artísticos ou científicos, que estruturam a narrativa expositiva, sendo dado especial destaque à ilustração da intensa atividade e produção científica da equipa de Jorge Dias, que está na origem da fundação do próprio Museu.

 A exposição resulta de uma parceria estabelecida entre o Museu Nacional de Etnologia e o Centro Internacional das Artes José de Guimarães, com curadoria de Nuno Faria, e constitui uma segunda versão da exposição inicialmente apresentada em Guimarães.

Expedição Científica à Serra da Estrela (1881), Orlando Ribeiro, Inquérito à Arquitetura Regional (1955-1957), levantamentos realizados no âmbito do Centro de Estudos de Etnologia (Jorge Dias, Margot Dias, Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira), Alberto Carneiro, Luís Pavão, Duarte Belo, Álvaro Domingues, Nuno Cera e Diogo Lopes, Paulo Catrica, Valter Vinagre, André Príncipe, Pedro Tropa, Daniel Blaufuks, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Álvaro Teixeira, Jorge Graça, Eduardo Brito, Duas Linhas (Pedro Campos Costa e Nuno Louro) e Sete Círculos (Pedro Campos Costa e Eduardo Costa Pinto), Carlos Alberto Augusto

 

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Surveys in the Territory: landscape and settlement

 National Museum of Ethnology, Lisbon, April 15 to October 16, 2016

 

«“Surveys in the Territory: landscape and settlement” is an exhibition which places in dialogue multiple views and approaches on Portugal from the end of the 19th century until present day. On the one hand, the views from which, mainly in the field of Cultural Anthropology, Architecture and Geography, resulted the discovery and the systematic knowledge of the territory and its cultural diversity. On the other hand, the views of a variety of artists that, using photography, and in some cases film, have addressed the territory and the landscape as an object of their production or intervention for the last decades.

The exhibition presents a selection of objects of the collections of the National Museum of Ethnology, placed in dialogue with the several views, of artistic or scientifical scope, which structure the exhibition narrative. These objects also highlight the intense activity and scientifical production of Jorge Dias’ team, which stands in the origin of the foundation of the Museum itself.

The exhibition is the result of a partnership between the National Museum of Ethnology and the José de Guimarães International Arts Centre, with the curatorship of Nuno Faria, and is a second version of the exhibition initially presented in Guimarães.

Scientific Expedition to Serra da Estrela (1881), Orlando Ribeiro, Survey of Regional Architecture (1955-1957), surveys conducted in the framework of the Ethnology Studies Center (Jorge Dias, Margot Dias, Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano and Benjamim Pereira), Alberto Carneiro, Luís Pavão, Duarte Belo, Álvaro Domingues, Nuno Cera e Diogo Lopes, Paulo Catrica, Valter Vinagre, André Príncipe, Pedro Tropa, Daniel Blaufuks, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Álvaro Teixeira, Jorge Graça, Eduardo Brito, Two lines (Pedro Campos Costa e Nuno Louro) and Seven Circles (Pedro Campos Costa e Eduardo Costa Pinto), Carlos Alberto Augusto


«10 anos depois: objectos de outros lugares» (12/11/2014 – 31/05/2016)

Francisco Capelo reincidiu com nova doação ao Museu Nacional de Etnologia e nós, com ele, na aceitação e no agradecimento. Diferentemente do universo bem delimitado, de exata localização, das máscaras e marionetas do Mali, que antes doara ao museu, são agora objetos de origens e sentidos muito diversos. Não conhecemos, para cada um deles, a situação concreta do seu uso, a parcela de vida social percebida nos locais onde foram produzidos e onde são protagonistas e operadores de relações. Não resultaram, pois, de um contexto de investigação, surpreendidos e documentados na sua eficácia prática e simbólica. Esta deslocou–se para o plano da paixão que move o colecionador e os destaca pela sua beleza e excelência técnica e formal, singularidade, valor icónico.

Mas, é também pela sua diversidade e pelas culturas que permitem representar, que eles logo suscitam diálogos com outros existentes no museu, seja enquanto novas ilustrações para questões já antes formuladas, seja pelo que, de novo, passa a poder ser conhecido e mostrado, ou pelo modo como as coleções do museu vão sendo pensadas e o próprio museu como casa de acolhimento de objetos e da sua interrogação e comunicação.

Vêm de países de África e do Sudeste Asiático: Nigéria, Camarões, Gana, Mali, Myanmar, Tailândia, Laos, Cambodja, Vietnam.

A proximidade e permanente troca de informações com Francisco Capelo revelaram sempre, tanto a paixão dos objetos por parte de um colecionador que procura documentá-los para o seu melhor conhecimento, como o próprio prazer, empenhamento e confiança postos no ato da sua doação.

poster


“Artes de Pesca. Pescadores, normas, objetos instáveis” (03/04/2014 – 14/02/2016)

Exposição que resulta de uma investigação conduzida no terreno, a partir de 2004, em estreita relação com um grande número de pescadores, de muitos locais da costa, associações e instituições que intervêm no domínio das pescas. Dela resultou a constituição de uma coleção de artes de pesca que agora é posta em articulação com a coleção dos anos 1960, já existente no museu. Muitas foram oferecidas pelos pescadores, nossos interlocutores. Outras, resultaram de acordos de colaboração com as várias capitanias marítimas, o que permitiu transferir para o museu artes e instrumentos de navegação apreendidos porque considerados em situação ilegal. A documentação produzida ao longo dos anos de pesquisa dá conta dos discursos dos pescadores sobre as normas que condicionam a sua atividade e se refletem na própria materialidade dos objetos, sua definição e instabilidade: permitidos ou não conforme o momento do ano, os locais, as leis que se foram sucedendo e até a compreensão e avaliação casuística. A recolha procurou preencher a maior diversidade de artefatos e tipos de materiais, técnicas, processos e funcionalidades, sobre a qual elaborar um sistema classificatório de referência para o seu inventário nos museus. O fio condutor da exposição é, por isso, também uma proposta de classificação para as artes de pesca, tomando em conta outras já produzidas por diferentes autores e instituições. A humanidade das práticas de pescas e a compreensão dos seus contextos sociais e organização do trabalho estão expressas nas filmagens feitas durante os anos de pesquisa, observação e constituição da coleção e nas imagens dos pescadores que no início do século XX passaram a ter a sua fotografia nos registos de inscrição marítima e agora habitam a exposição.

 

Artes-de-PescaDescarregue aqui documentação de apoio referente aos objetos expostos e a alguns conteúdos desta exposição.

Serviço Educativo | Peddy-paper.

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