Apresentação da moeda “Os Jugos”, no próximo dia 26 de Setembro, no MNE

image001

No âmbito das Jornadas Europeias do Património, que decorrerão nos próximos dias 26, 27 e 28 de Setembro, subordinadas ao tema “Património, sempre uma descoberta”, a Imprensa Nacional – Casa da Moeda, em colaboração com o Museu Nacional de Etnologia, lançará um nova moeda comemorativa, da série “Etnografia Portuguesa”. Esta série, que se estenderá até 2018, começou em 2013 com uma moeda alusiva às arrecadas de Viana do Castelo.
No próximo dia 26 de Setembro, pelas 18h30, no edifício do MNE, lançar-se-á um novo exemplar, inspirado nos motivos do jugo minhoto das coleções do museu.

AP.885

Este jugo, proveniente de Famalicão, é um belíssimo exemplar da zona onde se encontram os mais altos e mais trabalhados de entre as variantes de todos os jugos de tábua da faixa do noroeste do país, entre o Vouga e o Minho, onde foram usados e onde poderão ainda ser observados.  

É o instrumento que permite a sujeição dos animais ao carro ou ao arado, mas pela sua morfologia e elaboração plástica, afirma-se e exibe-se muito para além da sua função de atrelagem e tracção. É feito de vazados, entalhes, recortes, contornado em toda a volta por cercadura de ramos e folhagens. A grade na metade superior é um rendilhado de motivos lavrados e abertos que o jugueiro vai buscar a um extenso reportório e talha a seu gosto ou a pedido do lavrador, repetindo-os e associando-os num desenho de grande rigor, equilíbrio, simetria. Nada nesta parte superior do jugo está vinculado à sua função técnica.  

Na parte inferior, outros motivos mais individualizados, com destaque para o que ocupa o centro, aqui o escudo encimado pela data de 1929, articulam-se com aberturas por onde irão passar as correias que o ligam ao carro e aos animais. Mas estas varandas de muitas furas, dispõem-se de tal maneira de um lado e de outro, que igualmente parecem elementos decorativos e luxo de formas. 

De todos os jugos que se conhecem com este grau de exuberante aparência, nenhum é anterior a meados do século XIX. É nesta sua historicidade que poderemos encontrar explicação para a existência e difusão deste surpreendente instrumento de trabalho. As reformas legislativas dos anos 30, com incidência na propriedade fundiária, a venda dos bens dos conventos, a melhoria da rede viária, circulação de novo capital com o dinheiro dos brasileiros, acompanham o aparecimento de uma classe de lavradores abastados que exibem a sua pujança e o seu estatuto, com os seus animais e atavios, no transporte das suas produções e materiais, na deslocação às feiras, participação em cortejos. A grande visibilidade do carro e dos animais como meio de transporte marcador da paisagem indissociável dos seus donos, vêm a dar a este instrumento sentidos cuja leitura se encontra no plano da afirmação social.  

 Mas se o jugo é muito eloquente como objecto de representação, ele merece ser trazido para o campo de interrogação em torno das artes decorativas, expressividade plástica, ou em sentido mais amplo, das questões estéticas, pois é exemplo de como parece ser, pelo modo de vestir ou esconder um elemento funcional, que este se revela enquanto outra coisa, outra dimensão. Por isso, alguns de mais excepcional execução se chamaram jugos de parada, para ser vistos. Este poderia ser um deles. 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s