Exposição: «Da Fotografia ao Azulejo» | Museu de Arte Popular | 15 de dezembro de 2016 a 1 de outubro de 2017

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Esta é uma exposição que convida à descoberta de Portugal e dos modos de representação da sua história e especificidades culturais, de caráter local ou regional, tomando como ponto de partida o azulejo e a imagem fotográfica que nele se reproduz ou, em muitos casos, se reinventa.

 Este novo olhar sobre uma expressão artística emblemática da paisagem cultural nacional, o azulejo, e as imagens que lhes estiveram na origem constitui o culminar da pesquisa de José Luis Mingote Calderón (Museo Nacional de Antropología – Madrid), que, ao longo de diversos anos, desenvolveu pesquisa de terreno em Portugal.

 Organizada e inicialmente apresentada pelo Museu Nacional de Soares dos Reis, a exposição itinerou em Espanha, primeiro no Museo Etnográfico Provincial de León e mais recentemente no Museo Nacional de Antropología, sendo agora apresentada no Museu de Arte Popular, complementada com uma seleção de peças das coleções constituídas pela equipa fundadora do Museu Nacional de Etnologia.

 É com esta exposição, enfim, que se assinala a reabertura ao público e o início de um novo ciclo do Museu de Arte Popular, vinculado à missão e ao programa do Museu Nacional de Etnologia, no contexto de um projeto equacionado por diversas vezes nas últimas quatro décadas mas que apenas agora se concretiza plenamente.

Chamada para trabalhos | Modos de fazer, modos de ser: práticas artísticas na e com a antropologia

 

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cartaz

Modos de fazer, Modos de ser: práticas artísticas na e com a antropologia

Colóquio Internacional

9 e 10 de março de 2017
Museu Nacional de Etnologia


Desde a sua emergência, enquanto disciplina, que a antropologia tem recorrido a práticas artísticas e visuais para explorar e apreender outras dimensões do ser de ser. Com a proposta do presente colóquio, pretendemos, antes de mais, convocar uma genealogia concreta do uso do registo visual que tem um possível início com a expedição de Cambridge a Torres Strait em 1898, passando pelo trabalho pioneiro de Gregory Bateson e Margaret Mead nos anos trinta, assim como a afirmação da antropologia visual na década de sessenta, enquanto sub-disciplina responsável pela produção de filmes que constroem e exploram outras formas de representação e experimentação do mundo estudado pelo antropólogo. Mais recentemente, têm ocorrido desenvolvimentos na área do cinema participativo, new media e etnografia interactiva que suscitam novos sentidos e questões. Esta perspectiva é ainda potenciada ao olharmos para como, no campo artístico, certos paradigmas se manifestam nos modos de fazer e nos modos de ser do mundo presente. Nesse sentido, consideramos que as contribuições artísticas na sua materialidade e processo, experimentação e criatividade, devem reocupar o centro do empreendimento antropológico de forma a compreender as dimensões culturais menos associadas ao discurso. Contudo, já há muito que discutimos que esta relação próxima é também problemática, na medida em que a diversidade da natureza dos materiais produzidos expande o campo epistemológico, muitas vezes para lugares ainda por incorporar pela própria disciplina.

Em Portugal, a antropologia foi acompanhando este movimento, sobretudo no que diz respeito ao registo e produção de objectos visuais, onde se destaca o grupo que esteve na origem do Museu Nacional de Etnologia, nomeadamente o trabalho fílmico de Margot Dias e Benjamim Pereira, a fotografia deste e ainda o desenho de Fernando Galhano. Pretende-se igualmente convocar este legado já que estas investigações, por vezes exploratórias, fragmentárias e abertas, continuam hoje a proporcionar-nos novas epistemologias e novas urgências na possibilidade de expandir a antropologia como empreendimento que perscruta a multidimensionalidade das pessoas e a pluridiversidade de mundos em que vivemos. Além disso, assumimos que um olhar a partir das experiências realizadas nas periferias e a “sul” dos centros hegemónicos de poder e conhecimento, alternativo à tendência anglófona e francófona que tem até certo ponto dominado esta discussão, é cada vez mais importante.

Tendo em conta este enquadramento, o colóquio “Modos de fazer, Modos de ser: práticas artísticas na e com a antropologia“ lança o desafio aos investigadores que trabalham e trabalharam nestas áreas em Portugal para se juntarem durante dois dias no sentido de pensar sobre as relações entre arte e antropologia neste país. Os principais objectivos são: 1) estabelecer um levantamento das produções científicas realizadas nos últimos anos; 2) reflectir sobre os cruzamentos e singularidades dos nossos trabalhos; 3) perspectivar os futuros deste terreno imaginativo e indomesticável.

As propostas de comunicações devem partir de uma palavra ou conceito chave que permita ao proponente reflectir sobre o seu percurso nos cruzamentos entre arte e antropologia, dentro e fora da academia. Filme etnográfico, arquivo, performance, memória, prática, ética, epistemologia, materialidade, identidade são alguns exemplos possíveis.

O evento resultaria numa publicação em formato livro que permitisse fazer o estado da arte da antropologia visual e da arte em Portugal.

Uma actividade NAVA – Linha Temática Antropologia Visual e da Arte um laboratório do CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia.

CHAMADA PARA TRABALHOS ABERTA ATÉ 20 DE JANEIRO DE 2017 para o email coloquiomsmf@gmail.com

NOTA: Os resumos das propostas devem ter um limite máximo de 250 palavras e um título alusivo à palavra chave ou conceito em que a comunicação se centrará. Os proponentes devem ainda enviar um resumo biográfico que inclua a filiação institucional. Prevê-se que as comunicações tenham a duração máxima de 20 minutos.